***FOTO BY ARTHUR TRESS***
quinta-feira, 17 de julho de 2014
***ARTE FOTOGRAFICA DE EMILYA MANOLE***
"Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçÃo ou seu desprezo.O que não faz você mover um músculo,o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."
*Martha Medeiros*
***ARTE DE TOMASZ KOPERA***
O Cúmplice
Crucificam-me e eu tenho de ser
a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento são todas as coisas.
O peso exato do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.
Jorge Luis Borges, in "A Cifra"
Crucificam-me e eu tenho de ser
a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento são todas as coisas.
O peso exato do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.
Jorge Luis Borges, in "A Cifra"
Nas grandes cidades do pequeno dia-a-dia, o medo nos leva a tudo, sobretudo à fantasia. Então erguemos muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia. Erguemos muros. Nas grandes cidades de um país tão violento, os muros e as grades nos protegem de quase tudo, mas o quase tudo quase sempre é quase nada e nada nos protege de uma vida sem sentido.
* Muros e Grades, Engenheiros do Hawaii*
* Muros e Grades, Engenheiros do Hawaii*
Gravado na parede
Saber que tu não virás nunca encher de rosas o meu quarto,
encher de beleza a minha vida...
e continuar à espera, de mãos vazias...
Saber que não partirás o meu pão, que não beberemos juntos,
ao jantar, um pouco d'aquele amável grato vinho velho,
que não acenderás a minha lâmpada,
que o piano não possuirá os teus dedos...
Saber tudo isso, o impossível e o irremediável
de tudo isso... e continuar sonhando inutilmente.
Ah! Por que não virás encher de rosas o meu quarto?
Ao menos, vem encher-me de lágrimas os olhos.
**Carlos Drummond de Andrade**
Saber que tu não virás nunca encher de rosas o meu quarto,
encher de beleza a minha vida...
e continuar à espera, de mãos vazias...
Saber que não partirás o meu pão, que não beberemos juntos,
ao jantar, um pouco d'aquele amável grato vinho velho,
que não acenderás a minha lâmpada,
que o piano não possuirá os teus dedos...
Saber tudo isso, o impossível e o irremediável
de tudo isso... e continuar sonhando inutilmente.
Ah! Por que não virás encher de rosas o meu quarto?
Ao menos, vem encher-me de lágrimas os olhos.
**Carlos Drummond de Andrade**
(...) No dia em que o sujeito perder a infinita complexidade do amor, cairá automaticamente de quatro, para sempre. Sexo como tal, e estritamente sexo, vale para os gatos de telhado e os vira-latas de portão. Ao passo que no homem o sexo é amor. Envergonha-me estar repetindo o óbvio. O homem começou a própria desumanização quando separou o sexo do amor. (...) São as vítimas do sexo sem amor. Tão simples enxergar o óbvio ululante. Devia ser não educação sexual, mas educação para o amor, simplesmente para o amor. E o homem talvez aprendesse a amar eternamente."
*Nelson Rodrigues*
*Nelson Rodrigues*
O teu cheiro surpreendeu-me pela delicadeza e pela névoa erótica. Encostei o meu braço ao teu e comecei a transpirar. Sentia uma vontade violenta de me desmoronar em ti. Não, não era fazer amor. Fazer amor não existe, porra, o amor não se faz. O amor desaba sobre nós, já feito, não o controlamos - por isso o sistema se cansa tanto a substituí-lo pelo sexo, coisa gráfica, aparentemente moldável. Também não era foder, fornicar, copular - essas palavras violentas com que tentamos rebentar o amor. Como se fosse possível. Como se o amor não fosse exatamente essa fornicação metafísica que não nos diz respeito - sofremos-lhe apenas os estilhaços, que nos roubam vida e vontade. Eu queria oferecer-te o meu corpo para que o absorvesses no teu. Para que me fizesses desaparecer nos teus ossos."
*Inês Pedrosa, in Fazes-me falta*
*Inês Pedrosa, in Fazes-me falta*
"Quantos dias se passam sem tu apareceres. E às vezes penso é bom que assim seja, para eu aprender a estar só. Mas de outras vezes rompes-me pela vida dentro e eu quase sufoco da tua presença. Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro e digo-te vai-te, vai-te embora. Por favor. E eu sinto-me logo tão infeliz. E digo-te não vás. Fica. Para sempre. Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça e o de endoidecer contigo. Porque tu foste de um mundo incorruptível onde o tempo não passa e é aí que tu moras no eterno de ti."
*Virgílio Ferreira*
*Virgílio Ferreira*
Amavam-se como se ama um orgasmo. Viviam o que tinham para viver, sentiam o que tinham para sentir.
E partiam. Não havia perguntas difíceis nem respostas desnecessárias. Sabiam que aquilo, como tudo, era
passageiro. E faziam questão, por isso, de o tornar eterno.
Pedro Chagas Freitas - in "LIVRO DE AFORISMOS & MENTIRAS UNIVERSAIS"
*Arte do artista alemão Armin Mersmann*
Por quê deveria eu desejar ver Deus melhor do que este dia? Eu vejo alguma coisa de Deus em cada hora das vinte e quatro, e em cada momento. No rosto dos homens e das mulheres eu vejo Deus, e no meu próprio rosto no espelho. Eu encontro cartas de Deus caídas na rua, e cada uma assinada com o nome de Deus. E eu as deixo onde estão, pois sei que, não importa aonde eu vá, Outras virão.., infalivelmente.., eternamente.
*Walt Whitman*
*Walt Whitman*
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