terça-feira, 22 de julho de 2014
“Aspiro a um repouso absoluto e a uma noite contínua. Poeta das loucas voluptuosidades do vinho e do ópio, não tenho outra sede a não ser a de um licor desconhecido na Terra e que nem mesmo a farmacopeia celeste poderia proporcionar-me; um licor que não é feito nem de vitalidade, nem de morte, nem de excitação, nem de nada. Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir, tal é actualmente a minha única aspiração. Aspiração infame e desanimadora, porém sincera.”
Charles Baudelaire - «Projetos de prólogos para “Flores do Mal”
“Infelizmente, hoje em dia a indiferença em relação ao destino cruel de milhões de animais criados para consumo humano instala-se cada vez mais, a par de uma crescente preocupação e cuidado por aqueles que nos fazem companhia. […]
Porém, continuam a ser os outros animais que não deixam de nos surpreender e de nos dar “lições de moral”, ao franquear as barreiras da espécie. Um hipopótamo que perde a progenitora num cataclismo ambiental e é adoptado por uma tartaruga gigante; uma leoa que cuida de uma gazela recém-nascida, vinda à luz no exacto momento em que a fêmea é morta pela mesma leoa; uma cadela, Ginny, que percorre incansavelmente as ruas de Nova Iorque, recolhendo gatos feridos e trazendo-os ao dono a fim de serem tratados. Estes e outros mais são exemplos de compaixão animal que indicia a existência de uma ética dos animais e não apenas de uma ética para os animais, da nossa exclusiva responsabilidade”
- Cristina Beckert, “O espelho invertido.
Porém, continuam a ser os outros animais que não deixam de nos surpreender e de nos dar “lições de moral”, ao franquear as barreiras da espécie. Um hipopótamo que perde a progenitora num cataclismo ambiental e é adoptado por uma tartaruga gigante; uma leoa que cuida de uma gazela recém-nascida, vinda à luz no exacto momento em que a fêmea é morta pela mesma leoa; uma cadela, Ginny, que percorre incansavelmente as ruas de Nova Iorque, recolhendo gatos feridos e trazendo-os ao dono a fim de serem tratados. Estes e outros mais são exemplos de compaixão animal que indicia a existência de uma ética dos animais e não apenas de uma ética para os animais, da nossa exclusiva responsabilidade”
- Cristina Beckert, “O espelho invertido.
Aguardo, ansioso, que venhas a este lugar
da noite e me toques.
Quero que o teu hálito me queime o rosto
e que as tuas mãos me devassem.
Quero que as palavras roucas que raspam
a tua garganta nos levem à liberdade plena.
Quero a delícia da lama, a cor do sangue,
o sangue em chama e a certeza de que em ti
me cumpro, humano, como no ventre da terra.
Edgardo Xavier. in " Azul Como o Silêncio "
da noite e me toques.
Quero que o teu hálito me queime o rosto
e que as tuas mãos me devassem.
Quero que as palavras roucas que raspam
a tua garganta nos levem à liberdade plena.
Quero a delícia da lama, a cor do sangue,
o sangue em chama e a certeza de que em ti
me cumpro, humano, como no ventre da terra.
Edgardo Xavier. in " Azul Como o Silêncio "
Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.
José Saramago, in "Revista Máxima, Outubro 1990"
Oração do Pássaro
Senhor,
Torna-me louco, irremediavelmente louco
Como os poetas sem palavras para os seus poemas
As mulheres possuídas pelo amor proibido
Os suicidas repletos de coragem perante o medo de viver
Os amantes que fazem do corpo a explosão da alma.
Dai-me, Senhor, o dom fascinante da loucura
Impregnado na face miserável do pobre de Assis
Contado nos filmes dionisíacos de Fellini
Resplandecentes nas telas policrômicas de van Gogh
Presente na luta inglória de Lampião.
Quero a loucura explosiva, sem amargura
Da razão ética das pessoas saciadas à noite pela TV
Da satisfação dos funcionários fabricantes de relatórios
Dos deveres dos padres vazios de amor
Dos discursos políticos cegos do futuro.
Fazei de mim, Senhor, um louco
Embriagado pelo vosso amor
Marginalizado do rol dos homens sérios
Para poder aprender a ciência do povo
Em núpcias com a cruz que só a fé entende
Como um louco a outro louco.
Senhor,
Torna-me louco, irremediavelmente louco
Como os poetas sem palavras para os seus poemas
As mulheres possuídas pelo amor proibido
Os suicidas repletos de coragem perante o medo de viver
Os amantes que fazem do corpo a explosão da alma.
Dai-me, Senhor, o dom fascinante da loucura
Impregnado na face miserável do pobre de Assis
Contado nos filmes dionisíacos de Fellini
Resplandecentes nas telas policrômicas de van Gogh
Presente na luta inglória de Lampião.
Quero a loucura explosiva, sem amargura
Da razão ética das pessoas saciadas à noite pela TV
Da satisfação dos funcionários fabricantes de relatórios
Dos deveres dos padres vazios de amor
Dos discursos políticos cegos do futuro.
Fazei de mim, Senhor, um louco
Embriagado pelo vosso amor
Marginalizado do rol dos homens sérios
Para poder aprender a ciência do povo
Em núpcias com a cruz que só a fé entende
Como um louco a outro louco.
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